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Isaías 53 (4º de uma série
de artigos)
O Redentor rejeitado
"Era desprezado e o mais rejeitado
entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer" (Isaías
53:3). É impressionante considerar que o redentor da humanidade teve que vir ao
mundo não somente sem ser anunciado, mas não reconhecido e indesejado. Tivesse
sido deixado à nossa iniciativa, nunca teríamos, naturalmente, lhe pedido que
viesse. E quando, pelo divino cuidado, ele veio, não tivemos sequer o bom senso
de reconhecer nele nossa única esperança de escapar ao desastre. Ele era o
criador do universo, e por seu poder todas as coisas são mantidas (Colossenses
1:16-17; Hebreus 1:2-3). Somente pela sua força os homens podiam respirar (Atos
17:25-27), e no entanto, quando ele veio ao mundo, eles nem mesmo o reconheceram
(João 1:10). Você poderia pensar que, quando Deus desnudou seu santo braço
diante das nações, na pessoa de seu único Filho, nós teríamos tido
sensibilidade suficiente para ao menos identificá-lo. Mas Isaías disse que
isso não aconteceria, e não aconteceu. Quando o Messias viesse, o profeta
disse, ele seria desprezado como um embaraço, julgado simplesmente indigno de
notícia. "... como um de quem os homens escondem o rosto, era
desprezado, e dele não fizemos caso" (53:3).
Mas se é notável que o mundo em volta não ficou impressionado com o Filho de
Davi, é absolutamente notável que ele foi rejeitado pela nação de Israel.
Ele era o seu Messias, o ungido de Deus, o objeto de sua aspiração nacional, o
consolador, apaixonado sonho de seus corações. Desde o tempo de Abraão eles
tinham alimentado a esperança de sua vinda. Entretanto, quando ele veio, até
eles o rejeitaram (João 1:11). É incrível! Mas Isaías disse que isso haveria
de acontecer, e aconteceu. A advertência não mudou nada. Por fim, até os
chefes espirituais da nação ficariam no monte onde o crucificado estava
exalando os últimos suspiros e atirariam ao seu rosto as próprias palavras que
Davi tinha profetizado: "Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam
os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no SENHOR! Livre-o ele; salve-o, pois
nele tem prazer" (Salmo 22:7-8; Mateus 27:43).
A maioria de nós imagina que teríamos sido mais sensíveis, reconhecendo
facilmente o Servo de Deus. Mas a pergunta é: Como? Por aquela ficção dos
artistas medievais, a auréola em volta de sua cabeça? Pelo seu dinheiro? Sua
óbvia nobreza? Seu poder político? Como poderiam pessoas como nós, fascinadas
e ocupadas com tantas superficialidades estúpidas, ter visto a verdadeira
beleza de sua absoluta santidade e amor? Isaías descreveu a recepção que ele
teria da maioria, se não de todos nós. E é indescritivelmente ultrajante.
Mas nos versículos 4-6 Isaías descreve as perturbadoras reflexões que viriam
a ocupar a mente de alguns daqueles que tinham tratado o ungido do Senhor com
tal desdém. "Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as
nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e
oprimido" (Isaías 53:4). Era inclinação natural da mente judia
julgar que os infortúnios de um homem fossem o resultado de sua própria
iniquidade, um homem mau acabando mal (Jó 4:7-9; João 9:1-2). Assim aqui: "nós
o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido". Sem dúvida os
principais sacerdotes que maquinaram a execução de Jesus aquietavam quaisquer
dúvidas que pudessem ter, dizendo a si mesmos que um homem bom não poderia
chegar a tal fim e, se ele fosse realmente o Filho de Deus, eles jamais poderiam
tê-lo tratado tão mal. Mas a pureza deste inocente sofredor, e a mensagem
clara do sistema sacrificial deles, finalmente traz o remanescente judeu
acordado à percepção de que sua agonia fala, não da feiura de seus pecados,
mas dos deles. "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído
pelas nossas iniquidades" (Isaías 53:5). Por fim, eles veriam
espelhada nos horrores da cruz a imensidade de sua própria perversidade. Assim
todos nós temos que ver. Se isto foi o que custou a Deus e seu ungido para
propiciar nossos pecados, eles devem ser mesmo negros. Precisamos olhar
atentamente para o sofrimento do Servo, até que verdadeiramente vejamos a nós
mesmos. As "nossas enfermidades" no versículo 4 são
entendidas por Mateus, que diz que esta mesma passagem foi cumprida quando Jesus
libertou o possesso do demônio e curou os doentes (Mateus 8:17). Mas é preciso
ser lembrado que é a ligação das doenças físicas e a morte com o pecado
(veja Gênesis 3:17-19) que torna significativo o serem carregados pelo Messias.
Ele curou um homem paralítico, não para que os homens soubessem que ele podia
curar os doentes, mas para que soubessem que ele poderia dizer, com certeza, "...
teus pecados estão perdoados", e para que todos pudessem
"saber que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar
pecados..." (Marcos 2:9-11). É claro que o pecado era o objeto da
preocupação do Messias, mas a solução do problema do pecado afasta
finalmente todas as misérias resultantes que nossa iniquidade trouxe sobre nós
(1 Coríntios 15:25-26).
O pensamento mais potente nestes versículos é que Deus, através de Seu Servo
escolhido, queria suportar as cargas que nós, por nossa própria teimosia,
temos suportado sozinhos. Israel não era uma vítima inocente, nem ignorante. Nós
também não somos. Como ovelhas distraídas, todos temos seguido, sabendo e
querendo, "nosso próprio caminho". E a "paz" e a
"cura" do espírito que buscamos tão desesperadamente foi comprada ao
preço dos castigos e dos açoites que Jesus suportou.
- por Paul Earnhart
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