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A edificação da igreja do
Senhor
Construa,
respeitando a autonomia congregacional
Deus comprou um povo para si. Aqueles redimidos compõem "a
igreja" (no grego, ekklesia, literalmente "os chamados",
tendo o sentido no Novo Testamento de uma "assembléia"), " o
corpo de Cristo" (Efésios 4:4; 1:22-23). Todos esses foram batizados em um
só corpo (1 Coríntios 12:13). Este é um uso universal da palavra
"igreja", incluindo todos os salvos. A "assembléia" vista
aqui é espiritual, tratando principalmente a relação de Deus com o povo
salvo.
A palavra "igreja" (veja definição acima) é também empregada para
se referir às "assembléias" locais ou "congregações" do
povo de Deus (1 Coríntios 1:1-2; Romanos 16:16). Neste nível, os santos têm
que combinar suas energias e recursos em esforços coletivos e reunirem-se
(literalmente) para adorar a Deus e fortalecer um ao outro (1 Coríntios 16:1-2;
11:20; Hebreus 10:24-25). Deus não deu nenhuma tarefa coletiva como esta
ao "corpo de Cristo" como um todo, à igreja no sentido universal.
É o ponto sustentado neste artigo que as igrejas locais que pertencem a Cristo
têm que ser autônomas (isto é, independentes). Paulo e Silas, na volta de uma
viagem evangelística, ajudaram na escolha de presbíteros (ou bispos,
supervisores; compare Atos 20:17,28) em cada igreja (Atos 14:23). O trabalho de
supervisão pelos presbíteros é limitado a cuidar do "rebanho de
Deus que há entre vós" (1 Pedro 5:2). O Espírito Santo não
expressa nenhum plano para a supervisão além da igreja local.
Note também que a coleta e uso dos recursos financeiros pelas igrejas nas
Escrituras sugerem igrejas "autônomas" e "independentes". 1
Coríntios 16:1-3 indica que cada igreja tinha um "tesouro"
independente. Até mesmo quando as igrejas enviaram ajuda para as necessidades
dos santos em outros lugares, essas igrejas escolheram mensageiros para
carregarem os fundos para os recebedores pretendidos (1 Coríntios 16:1-3; 2 Coríntios
8:19,23), assim mantendo sua intenção de controlar os fundos até que fossem
utilizados para um propósito autorizado. Nenhum tesouro de "várias
igrejas", sob a supervisão de uma "diretoria" ou uma "mesa
de presbíteros" foi autorizado no Novo Testamento. Se tais situações
tivessem existido, seria bem difícil afirmar que as igrejas de Deus deveriam
ser "independentes" e "autônomas".
Há quem se sinta frustrado por tal arranjo. A sabedoria humana pode parecer
mostrar que muito mais poderia ser conseguido se não fôssemos tão
"limitados" no exercício de nosso engenho. A mente do homem tem meios
e modos próprios (relembre Jeremias 10:23; Isaías 55:8-9; Provérbios 14:12).
Qualquer trabalho que uma igreja possa buscar que não esteja autorizado por
Deus nem é digno de ser realizado!
Se a "autonomia congregacional" é um princípio bíblico válido, e
creio que é, então as igrejas não têm nenhum direito para estabelecer,
patrocinar, ou supervisionar outras igrejas, mesmo com nobres propósitos. Uma
nova igreja pode parecer fraca e inadequada para sua tarefa, mas precisamos
entender que a tarefa dessa igreja é realizar a vontade de Deus de acordo com
sua capacidade, e as outras apenas atrapalham quando violam o princípio da
independência mostrado na Nova Aliança.
Mas alguns podem afirmar que os presbíteros (ou outros "dirigentes")
de uma grande, bem-sucedida igreja podem ser capazes de fazer uma pequena igreja
crescer se eles pudessem apenas ter a condução dos trabalhos da igreja
pequena. O mundo dos negócios dará exemplos de companhias em dificuldade que
prosperaram depois que os executivos de uma corporação bem-sucedida tomaram as
rédeas. O que podemos deixar de ver nesta comparação é que a companhia recém-revitalizada
teve que renunciar a sua autonomia e independência, para que essa meta fosse
atingida. As sementes da estrutura das denominações podem ser encontradas nas
igrejas (ou seus "dirigentes") supervisionando outras igrejas.
É, também, possível violar o princípio de "autonomia
congregacional" com modos menos óbvios. Uma igreja pode exercer influência
indevida sobre outra igreja ao "colocá-la na obrigação",
financeiramente ou de outro modo, e então esperando que os desejos da igreja
"doadora" sejam cumpridos. A coerção de tipo político, do mesmo
modo, não se ajusta bem com o plano de Deus e não se deverá submeter a ela.
Por outro lado, a fé em Deus exige que percebamos que podemos funcionar
como Deus autorizou. A igreja (universal) pode fazer sua obra, através
dos santos em qualquer parte que caminham pela fé (Efésios 4:16). As igrejas
locais podem honrar o princípio da "autonomia congregacional",
evitando os constrangimentos dos indivíduos ou instituições carnais. Podemos
fazer isso e ainda assim "construir".
- por Joe F. Hickman
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