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Isaías 53 (5º de uma série
de artigos)
Um Cordeiro levado ao
matadouro
"E le foi oprimido e
humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como
ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca"
(Isaías 53:7). Foi espantoso que o Servo do Senhor tivesse que sofrer, foi
incrível que ele tivesse de ser morto sem choro. Não houve um aspecto do
evangelho de Cristo que exigisse mais da credulidade das mentes do primeiro século
do que a idéia de que Deus havia morrido. Era uma pedra de tropeço para os
judeus e loucura para os gregos (1 Coríntios 1:23). E por que não? O próprio
fato que os homens pudessem matar Jesus era prova convincente para as mentes práticas
de que ele não era o Filho de Deus. Era, para eles, incontestável. Homens não
podem matar Deus! E mais ainda, eles estavam certos. Nenhum homem, nem a
humanidade como um todo, podem superar o poder de Deus (Salmo 2:1-5). A menos,
naturalmente, que ele o queira; a menos que o permita.
O abate de bois é esperado com muito berro e esforços frenéticos para
escapar, mas as ovelhas vão para sua morte quietamente, sem resistência.
Nenhuma palavra poderia ter descrito melhor o modo surpreendente como Jesus
aceitou seu sofrimento e morte do que Isaías. Nenhuma mão de carne e osso
poderia tê-lo ameaçado, mas desde o princípio da sua estadia entre os homens
Ele se fez acessível ao toque deles. Foi permitido que homens e mulheres
pecadores o agarrassem em desespero (Marcos 3:10; 5:28). E ele freqüentemente
colocou alegre e compassivamente suas mãos sobre eles (Mateus 8:3, 15; 9:29;
Lucas 22:51). Em demonstração da realidade de sua verdadeira presença entre nós,
em carne, João escreve: "... o que contemplamos, e as nossas mãos
apalparam, com respeito ao Verbo da vida" (1 João 1:1).
Mas ainda nos surpreende que aquele que tinha 72.000 anjos sob seu comando
(Mateus 26:53), um só dos quais pode destruir 185.000 soldados assírios em uma
noite (2 Reis 19:35), nada fez diante do impiedoso ataque enfurecido dos homens
ímpios que o agarraram e o brutalizaram sem misericórdia. A resposta,
naturalmente, era simples. Seu Pai assim o queria (Mateus 26:54), e ele o queria
(João 10:18). Jesus não esperou que 600 homens que acompanharam Judas para
buscá-lo em seus esconderijos secretos o prendessem. O Filho de Deus tirou de
Judas sua utilidade andando em direção à trilha da multidão e se
identificando abertamente (João 18:1-4). O ungido do Senhor aceitou sua prisão
sem discutir. Cuspo desdenhoso, misturado com sangue, desceu pela face do Deus
em carne, mas "ele não abriu a boca". É evidente que
nenhum daqueles homens, nem um milhão iguais a eles poderiam jamais tê-lo
pegado. Mas o que se torna cada vez mais aparente quando a profecia de Isaías
se desenvolve em realidade histórica é que Jesus está simplesmente dando-se a
eles. Quão pouco eles percebiam que tudo o que eles faziam era Sua vontade que
estava sendo cumprida e não as suas próprias. Quão pouco eles percebiam que
mesmo no seu desamparo, era ele que governava e dirigia os eventos, e não eles
mesmos (João 19:10-11).
E assim Deus, na verdade, morreu como um cordeiro, inocente, sem se queixar. Já
o ouvimos há tanto tempo que não ficamos mais chocados com isso.
Mas talvez a mais impressionante revelação de Isaías 53 fale da fonte do terrível
sofrimento do Servo. O profeta não coloca este erro monstruoso, omo poderia ter
sido esperado, aos pés dos homens sem misericórdia. Ao contrário, ele diz
"mas o SENHOR
fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos"
(Isaías 53:6). E o que é ainda mais chocante: "Todavia, ao SENHOR
agradou moê-lo..." (Isaías
53:10). Aqui está embutida a terrível necessidade de redenção humana. É
maravilhoso ler a promessa de Isaías que este Servo é destinado a servir não
só Israel, mas as nações; mas o enorme custo divino só agora é percebido.
Ele morreu como um cordeiro porque era um cordeiro, um cordeiro sacrificial para
propiciar a justiça de Deus e tornar possível sua misericórdia clemente (João
1:29). Todos os cordeiros que tinham morrido na história humana apontavam para
este. Jesus era o cordeiro pressentido no carneiro que morreu em vez de Isaque,
no monte Moriá. O Senhor verdadeiramente providenciou! Ele era a verdadeira e
última expressão do cordeiro imaculado da Páscoa cujo sangue abrigou Israel
da ira de Deus no Egito (1 Coríntios 5:7).
Mas por que ele tinha que morrer, e morrer tão horrivelmente? Porque ele era a
propiciação por nossos pecados (1 João 2:2) e nele tinha que recair a justa
ira divina imparcial de um Deus santo (Romanos 1:18) que não pode ter "treva
nenhuma" (1 João 1:5-6) e, portanto, não pode simplesmente dizer
aos pecadores, a quem ele ama, "Eu vos perdôo". "Se ele tivesse
que perdoar meramente por compaixão, ou porque um ser soberano pode fazer o que
quiser, ele destruiria a estrutura moral do universo" (Frederick Alfred
Aston, O Desafio das Eras, 19). Talvez um anjo santo pudesse ter sido
encarnado e propiciado os pecados de uns poucos de nós, mas para a iniquidade
combinada de todos os homens, seria preciso mais do que a simples morte do próprio
Filho de Deus, mas "morte na cruz". A salvação é, oh!, tão
gratuita para nós, mas não foi gratuita para ele.
- por Paul Earnhart
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