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Isaías 53 (6º de uma série
de artigos)
Uma sepultura com os
perversos
"Por juízo opressor foi arrebatado... designaram-lhe a sepultura
com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte; posto que nunca fez
injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca" (Isaías 53:8-9).
Sobre a visão profética de Isaías desce um profundo silêncio. O servo do
Senhor foi-se agora, rapidamente cortado por injustiça ultrajante e
brutalidade. Poucos veriam sua própria perversidade espelhada no horror do
sofrimento dele (versículos 4-6), mas a maioria continuaria em distraída
desconsideração (versículo 8).
A humilhação que seus inimigos queriam para ele não era para ser preenchida só
pela desolação de sua morte. Teria também que perseguir seu corpo mutilado a
uma sepultura de criminoso, sem nome. Não há evidência de que a hierarquia
judia planejou para que Jesus fosse crucificado entre dois criminosos, mas isso
certamente lhes agradou. Eles desejavam ardentemente que ele fosse identificado
com os notoriamente perversos. Tão intenso era o seu ódio pelo Senhor que
estes assim chamados juízes abandonaram toda dignidade, toda conveniência, e
vieram fartar seus olhos sobre sua angústia final (Mateus 27:41-43; Lucas
23:35). Foi esplêndido para eles, um doce triunfo para ser saboreado até o
fim.
Há incerteza sobre Isaías 53:9. O manuscrito de Isaías dos Pergaminhos do Mar
Morto dizem "Sua sepultura foi determinada entre os perversos, seu túmulo
entre os malfeitores," mas o texto recebido mais comumente diz "com um
rico em sua morte." E Mateus parece decidido a fazer a identificação com
exatamente tais palavras do profeta quando ele registra que "... veio um
homem rico de Arimatéia, chamado José..." (Mateus 27:57). Young entende
que a passagem esteja dizendo que homens indicaram ao servo uma sepultura entre
os perversos, mas Deus, por causa de sua absoluta inocência, assegurou-lhe um
sepultamento honroso (E. J. Young, Isaías, Vol. 3, pág. 440).
Se a prática romana usual tivesse sido seguida, Jesus teria sido sepultado com
sua cruz numa vala comum. Somente a ousada intervenção de um membro do Sinédrio
afastou esta humilhação final (Mateus 27:57-60; Marcos 15:42-46). José de
Arimatéia tinha sido, evidentemente, um "discípulo secreto" de Jesus
durante os eventos dos últimos meses (João 19:38), mas aquele que não poderia
reconhecer abertamente sua fé enquanto Jesus vivia, vem agora
"ousadamente" reclamar seu corpo. E, admiravelmente, seu colega
conselheiro, veio com ele (João 19:39). É uma das ironias da morte de Jesus
que homens que ficaram com ele em vida, fugiram de seu corpo mutilado; enquanto
aqueles que temiam reconhecê-lo enquanto vivia foram os primeiros a pedir
abertamente seu cadáver. Que cena maravilhosa é imaginar aqueles dois
"eminentes" homens, talvez de braços dados, gentilmente descendo seu
corpo sem vida da cruz na mais doce das camaradagens. Eles não estavam
envergonhados dele agora!
E havia as mulheres, aqueles corações tenazmente leais que ficaram junto à
cruz, próximo a sua humilhação (João 19:25). Ainda que incapazes de aliviar
a dor de seu Mestre, elas se recusaram a se afastar dela ou dele. E quando José
envolveu seu corpo inanimado em pano de linho e o colocou em seu próprio
sepulcro novo, e Nicodemos banhou-o amorosamente numa riqueza de especiarias (João
19:39), as mulheres seguiram e marcaram o lugar onde ele tinha sido deposto.
Ainda que muito já tenha sido feito para Jesus, elas estavam determinadas a
fazer mais (Lucas 23:55-56). Se não puderam proteger sua vida da vergonha em
vida, elas o fariam em sua morte.
Não podemos ter certeza de quanta esperança houvesse em toda esta atenção
com o corpo de Jesus, mas é certo que havia muito amor. O que quer que o futuro
guardasse, seu amor e palavras tinham mudado suas vidas e elas não o
esqueceriam.
Mas no meio da morte do Filho de Deus há uma grande demonstração de uma
esperança confiante e fé, e isso no lugar mais inesperado. Os dois ladrões
que partilharam a sina de Jesus estavam dispostos, a princípio, a acrescentar
seu escárnio ao dos espectadores, mas um deles ficou tremendamente comovido
pelo que viu neste paciente sofredor que encontrou força para orar por aqueles
que o estavam matando sem misericórdia. A ressurreição de Lázaro dos mortos
não poderia ter penetrado este criminoso moribundo tão profundamente como a
maravilha de tal amor generoso não correspondido. Ele foi capaz de ver nesta
figura patética a glória do Deus ungido e de ver nele a esperança até para
aqueles como ele mesmo (Lucas 23:40-43). "Jesus, lembra-te de mim
quando vieres no teu reino", ele pediu. Ao que o Senhor
imediatamente respondeu, "... hoje estarás comigo no Paraíso".
Que fé humilde ele tinha!! Mas que Salvador Jesus é! Há esplendor até na
morte, até na sepultura. As palavras do profeta novamente vieram à vida na
História. "... vos entreguei o que também recebi que Cristo morreu
pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado..."
(1 Coríntios 15:3-4).
-por Paul Earnhart
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