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Os ministérios
da juventude e a Bíblia
Em muitos círculos religiosos, um "ministério da juventude"
significa, essencialmente, um programa de entretenimento para os jovens. Não há
nada de errado com o divertimento. Não há nada de errado em tentar reunir
adolescentes para participar de atividades juntos. Não há nada de errado em
prover oportunidades para os jovens terem alegria moralmente boa. Todas estas são
metas dignas, ainda que a igreja não tenha autoridade para fundar, organizar e
dirigir tais coisas. "Que a igreja não seja sobrecarregada", Paulo
disse a Timóteo com respeito ao cuidado com as idosas que tinham cristãos mais
jovens capazes de cuidar delas (1 Timóteo 5:16). O mesmo pode ser dito sobre
prover divertimento para os jovens. A igreja é o reino de Cristo, organizada
para a obra de Cristo; ela deve ser levada sob a autoridade de Cristo. A
responsabilidade pela criação moralmente boa dos filhos é posta corretamente
aos pés dos pais: "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à
ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios
6:4).
Os pais precisam tirar tempo de seus próprios interesses para cuidar das
necessidades válidas de seus filhos. Isto inclui prover divertimento seguro e
moral. Contudo, a igreja tem um ministério que -- de algum modo -- se sobrepõe
a esta obrigação dos pais. A igreja é encarregada de edificar-se (Efésios
4:12), divulgar o evangelho (1 Tessalonicenses 1:8) e sustentar a verdade (1 Timóteo
3:15). Isto, certamente, inclui ensinar a verdade aos jovens que estão na
congregação.
Deus quer que ensinemos os jovens: "Estas palavras que, hoje, te
ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao
levantar-te" (Deuteronômio 6:6-7). Uma vez, os discípulos
repreenderam as pessoas que levavam crianças a Jesus. Jesus, por sua vez, ficou
muito desgostoso e lhes disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, não
os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus" (Marcos 10:14).
Paulo comentou sobre a educação espiritual de Timóteo: "e que,
desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a
salvação pela fé em Cristo Jesus" (2 Timóteo 3:15). A igreja
tem um papel em "ministrar" à juventude na congregação. É para
isso que temos aulas bíblicas para diferentes faixas etárias. Entendemos que
uma criança de 8 anos precisa de certas atenções que uma de 15 anos não
precisa, e uma de 15 anos pode se beneficiar de uma atenção que normalmente não
é dada a um adulto. Aulas para grupos diferentes são uma maneira de ministrar
a cada pessoa.
Em alguns círculos, esforços especiais da igreja pelos jovens tendem a ser
recebidos com ceticismo. Classes separadas são aceitas, mas muito examinadas. Não
há nada de errado com esta avaliação, mas todos devem proceder prudentemente.
Algumas pessoas são prontas a responder, "o mesmo evangelho que salva os
mais velhos, salva os mais jovens." Esta afirmação verdadeira me lembra a
triste advertência de Paulo em Gálatas 1:9 e 10. Em termos de salvação, há
um só evangelho, e deve ser ensinado com simplicidade e pureza. Contudo, Paulo
também tinha isto para dizer, em Gálatas 2: "... antes, pelo contrário,
quando viram que o evangelho da incircuncisão me fora confiado, como a Pedro o
da circuncisão... me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a
fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão"
(Gálatas 2:7-9). Paulo e Pedro ensinaram o mesmo evangelho, mas talharam seu
ensinamento para os diferentes grupos étnicos. Pedro poderia ensinar a um judeu
com certas pressuposições que Paulo não poderia usar com o conhecimento de um
gentio. Os fatos do evangelho são os mesmos, os mandamentos do evangelho são
os mesmos, mas os métodos de ensino tinham que levar em conta os diferentes
ambientes. Paulo falava semelhantemente sobre seus próprios métodos de ensino,
entre diferentes tipos de pessoas: "Porque, sendo livre de todos,
fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedi,
para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob
o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem
debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu
mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo,
para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos,
com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por
todos os modos, salvar alguns"(1 Coríntios 9:19-22).
Ao ensinar o evangelho aos jovens, a congregação precisa ministrar às suas
necessidades especiais. Isto é um ministério da juventude bíblico, e
uma obrigação para aqueles que salvarão a geração que está crescendo na
congregação. Através da História do homem, temos usado técnicas de ensino
especiais para os muito jovens. Põem-se histórias bíblicas e fatos em rima e
canções, para que eles possam ser mais facilmente lembrados e, sim, achem mais
graça em aprender. Livros para colorir e quebra-cabeças podem parecer como
atividades para casa, contudo um professor para crianças muito novas pode
colocar isso diante de uma criança e ajudá-la a visualizar as verdades bíblicas
-- histórias e mandamentos -- que, de outro modo, seriam muito abstratas para
sua mente jovem absorver. Contudo, a ênfase deve repousar no ensinamento. Quero
ver meu filho sair da aula dizendo: "aprendemos sobre Araão e Ló",
antes que "colorimos desenhos e fizemos quebra-cabeças." Cuidado,
pois: a imagem colorida numa página pode ficar gravada na mente. Essas
primeiras lições podem lançar a fundação para um ensinamento sólido, mais
substancioso nos anos futuros.
Jogos de perguntas bíblicas -- meninas contra meninos, talvez -- podem dar
energia a uma classe bíblica, enquanto mantém o foco firmemente nas verdades bíblicas.
Isto não é a "tática do chamariz", tão popular hoje em dia. Há
quem pense em atrair a audiência de crianças com filmes, patinação e
"cachorro quente" e, de algum modo, enfiar uma ou duas histórias bíblicas
entre as atividades. Isto não destaca a Bíblia, mas a encaixa como alguma
bonificação. "Passar sorrateiramente o evangelho" de modo nenhum é
um método digno da "coluna e baluarte da verdade". Devemos,
honestamente, perguntar-nos se esta atividade da igreja é verdadeiramente
ensinar e edificar, ou ensinar e edificar é apenas um objetivo colateral?
Uma anedota ou história engraçada pode servir bem para ilustrar -- ou ajudar a
decorar -- alguma verdade bíblica. Desde que eu era criança, lembro-me bem da
imagem ridícula que Jesus pintou do homem com uma viga nos seus olhos tentando
remover um cisco do olho de outra pessoa (Mateus 7:3-5). Contudo, o propósito
era ensinar sobre a hipocrisia, e não causar riso. Risos demais logo banalizam
a mensagem. Isto é verdade tanto para adolescentes como para adultos. Os
adolescentes estão se aproximando -- ou já entraram -- de um estado de
responsabilidade com Deus. Precisamos ensinar-lhes a seriedade de sua posição.
Adolescentes enfrentam sérios perigos; precisamos encorajar essa seriedade.
O ministério da juventude de qualquer congregação é negócio sério, digno
de todo cuidado e consideração pelos presbíteros e adultos da igreja. Podemos
encorajar e apoiar métodos que ajudem a ensinar a verdade, mas temos que jamais
adorar os falsos deuses "comida, divertimento e brincadeiras". Que os
pais cuidem do entretenimento de seus filhos. Que ambos, os pais e a igreja,
cuidem da salvação e edificação espiritual deles.
-por John Hendrix
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