"Senhor,
ensina-nos a orar" (5º de 24 artigos)
A oração do Senhor por uma turba de linchadores
A indústria cinematográfica
tentou, recentemente, ressuscitar alguns filmes de "bang-bang".
Os atores são diferentes, mas a trama é a mesma. A cena de enforcamento
ainda pinta os homens maus tirando a vida de vítimas inocentes e até se
divertindo realmente com isso. Palavras penetrantes, ditas para ferir,
acompanham o evento medonho. A que nível as pessoas podem chegar?
Pode ser que você tenha sido
profundamente ferido por palavras e ações de outros. Como você lida com
isso? Como você trata a traição por um amigo íntimo? Como você reage
a uma carta anônima? A resposta depende da condição do coração. Que
melhor coração para servir de modelo para nossa vida do que o de Jesus
Cristo?
Numa quente, brilhante,
sexta-feira de manhã em Jerusalém, Jesus sofreu profundas lacerações,
causadas pelo açoite e pelos pregos, e teve que sofrer severo abuso
verbal de uma multidão de curiosos que incluía os soldados. A crucificação,
no oriente, era pior do que um enforcamento no oeste. Em vez de procurar
vingança ou exigir desculpas, ele falou em defesa deles. Não era incomum
uma pessoa crucificada falar na cruz; mas suas palavras eram geralmente
selvagens expressões de dor, rogando pela libertação, maldições
contra Deus ou julgamentos sobre aqueles que tinham causado seus
sofrimentos. Ele orou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem" (Lucas 23:34).
Admirável! Essa oração era
tão incomum que levou um criminoso notório, que estava sendo crucificado
próximo a Jesus, a mudar totalmente sua disposição em favor do Cristo.
Esta exclamação pode certamente causar feridas emocionais, rancor e
ressentimentos parecerem infantis.
Esta oração provou a íntima
e habitual comunhão de Jesus com seu Pai. Foi porque a oração era a
linguagem natural do Salvador que ela saltou a seus lábios ressecados
nesse momento. Seu Pai era uma parte inseparável de seu coração. Justo
quando parecia conveniente retirar-se de Deus ou imaginar se ele sequer
estivesse por perto, Jesus orou ao Pai. Jesus afirmou o tipo de coração
que é necessário para segui-lo, que reflete seu próprio coração: "Se
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz
e siga-me" (Lucas 9:23). Buscar a si mesmo é o oposto de
negar-se a si mesmo. É a raiz do problema da nossa inclinação para o
pecado. As massas egoístas seguem o caminho que Pedro descreveu: "...especialmente
aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam
qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades
superiores" (2 Pedro 2:10).
"Perdoa-lhes" é uma
oração de intercessão. É mais fácil orar muito por si mesmo do que
fazer isso por outros. Isso exprime eloqüentemente a solicitude de um
pelo bem-estar de outros, sejam parentes, amigos ou inimigos. Jesus
mantinha uma mente submissa que pensava, servia e sacrificava-se pelos
outros, para a glória de Deus, e não para ganho pessoal (Filipenses
2:5-11).
Uma pessoa injuriada
geralmente se importa somente com seu próprio lado da situação, e vê
somente aquelas circunstâncias que tendem a colocar a conduta da outra
parte sob a pior luz. Não Jesus. Seu entendimento claro do perigo a que a
culpa deles os expunha fez com que ele atentasse, não para sua própria
dor, mas a reverter o destino horrível da multidão de linchadores.
Orando por seus inimigos, Jesus estava capacitado a reprimir ao desejo
natural de vingança e ter uma paz imperturbável. Ele orou por eles para
que tivessem tempo para se arrependerem de seu crime horripilante. Eles
mereciam um julgamento imediato. Aconteceu? Não. Jerusalém foi destruída,
como Jesus tinha predito, mas não antes de quarenta anos após a sua
morte; e neste ínterim o Espírito Santo veio e os apóstolos começaram
a pregar o perdão dos pecados (Atos 2:16-38).
Estão perdoados os seus
pecados? Você pode amar uma multidão de linchadores como Jesus fez?
Perdoando assim, o ofensor nunca entenderá plenamente o que eles fizeram
você passar; eles nunca serão capazes de pagar pelo que tomaram de você
(ainda que possam fazer uma nobre tentativa), e nunca saberão plenamente
como você se sentiu. Em que base você pode fazer isso? "Sede
uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos
outros, como também Deus em Cristo vos perdoou" (Efésios
4:32). Pelo amor de Cristo, ame uma turba de linchadores
Jerry Accettura