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No Jardim do
Sepulcro: O Fim se Transforma no Começo
Os primeiros discípulos não tinham
problemas quanto à humanidade de Jesus. O que lutei inúmeras vezes para
aceitar eles entenderam prontamente. Tiveram a oportunidade de conhecê-lo
da mesma forma que você e eu conhecemos qualquer pessoa. Andaram com ele,
tocaram-no, viram-no com fome, cansado e entristecido S tinham à disposição a
imagem dele, que podiam ver, e a pessoa dele, que podiam perceber por meio de
todos os sentidos (1 João 1:1). Ele era para eles tão real quanto
qualquer outra pessoa. E foi exatamente isso que, mais tarde, serviu de
base para a descrença e o derrotismo por que passaram quando reunidos na sala
superior, após a morte do Senhor. A morte de alguém marca o fim de seus
sonhos, de sua liderança, de seu poder. Eles lutavam não com a natureza
humana de Jesus, mas com a divindade dele.
De fato Pedro professou de modo magnífico que Jesus era Deus, quando disse que
"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", mas obviamente os discípulos
não captaram a importância nem a amplitude dessa declaração (Mateus
16:13-23). A julgar pelo modo por que correspondiam ao Senhor, creio ser
justo afirmar que viam Jesus como alguém de carne e osso, um homem de Deus, um
operador de milagres (como alguns dos profetas), um companheiro adorável, um
mestre ilustre, um líder e guia irrepreensível; mas ele também era o homem
que sofreria o destino de todos os homens. Quando Jesus foi crucificado, o
choque foi desmoralizante para os discípulos: "Ah, Senhor! Por
que agora? Estávamos aprendendo tanto! A mensagem era de primeira!
Estávamos dispostos a morrer pela causa!" O desespero deles era o de súditos
leais que tinham perdido o seu rei.
Era como se Jesus jamais tivesse mencionado a sua ressurreição; eles
simplesmente não tinham dado ouvidos. Quando Jesus disse abertamente aos
discípulos que iria para Jerusalém, para sofrer muito nas mãos das
autoridades religiosas, ser morto e ressuscitar no terceiro dia, parece que eles
ouviram tudo menos a parte mais importante. Que sabiam eles acerca do
poder da ressurreição ou sobre a vitória após a morte? Logo eles se
veriam olhando a tumba vazia, lembrando-se do que ele tinha dito . . . Seria
como uma imagem pouco nítida sendo instantaneamente ajustada para mostrar toda
a sua esplendorosa beleza, do mesmo modo que se encaixa com cuidado a última peça
de um quebra-cabeça. Mesmo agora, lendo o relato, sinto a emoção que
eles devem ter sentido. Foi na verdade a ressurreição que deu aos discípulos
um entendimento mais abrangente de tudo o que Jesus tinha feito e ensinado.
Eles ficaram extremamente emocionados! Não se tratava simplesmente de um
homem qualquer; eles haviam andado com o Rei dos reis, Filho de Deus!
Paulo mais tarde escreveria que Jesus foi "designado Filho de Deus com
poder . . . pela ressurreição dos mortos" (Romanos 1:4).
Mas, mesmo diante do sepulcro vazio, o ceticismo dos discípulos não era muito
diferente do ceticismo do inimigo. Não se deixavam persuadir facilmente.
Jesus havia morrido; disso tinham certeza. Quando Maria Madalena disse aos
discípulos que tinham visto Jesus e que ele estava vivo, eles "não
acreditaram". Lucas conta que para os discípulos o relato das
mulheres parecia "delírio". Quando os dois discípulos a
caminho de Emaús contaram aos irmãos sobre o seu encontro com Jesus, estes não
acreditaram; e quando o próprio Jesus se encontrou com os onze, ele "censurou-lhes
a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o
tinham visto já ressuscitado" (Marcos 16:11; Lucas 24:11; Marcos
16:13-14). A incredulidade dos discípulos é de um significado apologético
tremendo. O fato deles não esperarem nem crerem que Jesus ressuscitaria
e, antes, ficarem desesperados diante de sua morte é o que confere grande peso
ao último testemunho deles sobre o fato da sua ressurreição.
E o inimigo põe mais lenha na fogueira apologética. Os inimigos,
desejando tanto precaver-se para que ninguém roubasse o corpo, sem querer
arquitetaram uma situação que acabou dando conta de provar a absoluta
veracidade do ocorrido. Sempre acreditei que a mais convincente prova da
ressurreição do Senhor fosse o silêncio dos inimigos. Tudo o que tinham
a fazer era apresentar o corpo, e a tola heresia teria sido terminada de uma vez
por todas. Tendo-se preparado estrategicamente, eles estavam conscientes
das conseqüências. Foram a Pilatos e disseram: "Senhor,
lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três
dias ressuscitarei. Ordena pois, que o sepulcro seja guardado com segurança
até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos o roubem e
depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste
pior que o primeiro" (Mateus 27:63-64). Pilatos disse-lhes que
fossem e deixassem o sepulcro o mais seguro possível.
Em meio de tanto medo e incerteza, pense na prova que foi necessária para fazer
Tomé, o incrédulo, ajoelhar-se clamando: "Senhor meu e Deus meu!"
S nada menos que tocar no corpo ressuscitado que ele sabia ser do Senhor.
O que tinha por objetivo ser o fim de um homem mostrou ser ele o Filho de Deus:
o túmulo continua lá, mas vazio S não por manobra humana, nem por alucinação,
mas pelo poder de Deus. E a história que ardia no coração dos homens há
séculos continua no coração dos homens hoje S e sem dúvida os principais
sacerdotes e os fariseus tinham razão de predizer que um sepulcro vazio não
seria o fim, mas o começo.
- por Rod Boston
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