|
Servos especiais
Havendo nos salvado, Deus quer nos manter salvos. Paulo podia expressar confiança
em "que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até
ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6). E ainda ele podia
alertar: "Não destruas a obra de Deus por causa da
comida" (Romanos 14:20). O trabalho de Deus em uma pessoa pode ser
destruído. Quando negligenciamos os meios que Deus providenciou para o reforço
dos laços entre nós e ele, seu trabalho em nós se interrompe. Ele deseja
completar seu trabalho e providenciou todos os meios necessários para nos unir
mais e mais a ele.
Um destes meios é a irmandade numa congregação de discípulos. Outro consiste
nos vários servos especiais com os quais Deus equipou a igreja. Paulo fala de
tais ministros em Efésios 4:11-16 S
"E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros
para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os
santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até
que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e
cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo, para que não
sejamos mais crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas, nem jogados
para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de
homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em
tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, ajustado e unido
pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na
medida em que cada parte realiza a sua função" (do Novo
Testamento, Nova Versão Internacional).
O reino de Cristo não tem senhores, mas apenas um, e este é o próprio Cristo.
Cristo proveu sua igreja de servos, não de senhores (Mateus 20:25-28). Mas ele
proveu todos os servos necessários para equipar completamente os santos.
Primeiro ele proveu a igreja de apóstolos e profetas. Estes funcionaram como
intermediários da revelação que agora temos no Novo Testamento. A
natureza desses ofícios foi tal que eles serviram ao seu propósito nos
primeiros dias do cristianismo. Não há apóstolos e profetas na igreja de
hoje. Mas ainda os apóstolos e profetas originais da igreja continuam a
funcionar como tais, através da mensagem que eles nos deixaram no Novo
Testamento. Assim como Abraão pôde dizer ao homem rico: "Eles têm
Moisés e os profetas; ouçam-nos" (Lucas 16:29), nós também
temos os apóstolos e os profetas e podemos ouvir seu testemunho no Novo
Testamento.
Outros destes servos especiais estão presentes nas igrejas de hoje. Temos
evangelistas vivos, os mensageiros que trazem as boas novas de Cristo. Temos,
também, pastores e mestres. As duas últimas palavras mostram dois lados do
mesmo ofício. (Paulo não diz "e alguns, mestres"). Os presbíteros
da congregação são tanto pastores ou supervisores como professores da
palavra. Naturalmente, Cristo também proveu professores que não são presbíteros.
Todos estes servos especiais foram providos com um propósito: preparar o
povo de Deus para os trabalhos do serviço, ou seja, equipar os santos para o
serviço. Em outras palavras, a intenção foi que estes servos especiais façam
com que todos os santos sejam ministros. Quando discutimos a distinção entre
clérigos e leigos poderíamos nos inclinar a dizer que a igreja não tem clero.
Talvez devêssemos dizer que ela não tem leigos, pelo menos não tem de acordo
com a intenção divina. Deus quer fazer ministros de todos os seus santos e
proveu os meios de fazê-los.
Mas este trabalho de ministério tem um propósito. Ele visa a edificar o corpo
de Cristo. Paulo volta a repetir este pensamento no versículo 16, quando
ele fala como o corpo se edifica a si mesmo. Aqui há edificação espiritual, e
Deus pretende que ela seja executada através do ministério dos santos, uns
para com os outros.
A meta definitiva deste trabalho está dita no versículo 13: "Até
que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e
cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo"
(NVI). Esta meta de unidade se identifica com a maturidade espiritual. As crianças
têm que crescer para chegar ao amadurecimento e à unidade do entendimento.
Quando esta meta for atingida, não seremos mais como crianças, à mercê de
quaisquer doutrinas que apareçam, mas firmes e fortes em Cristo.
Não está claro que os ministros especiais, com os quais a igreja está
equipada, são dádivas de Deus para reforçar os laços entre Deus e seu povo?
Este ponto pode ser visto especialmente quando o trabalho dos presbíteros é
considerado. Paulo encarrega os presbíteros efésios inclusive do seguinte:
"Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo
vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou
com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós
penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós
mesmos, se levantarão homens falando coisas pervetidas para arrastar os discípulos
atrás deles" (Atos 20:28-30).
Ainda: "Obedecei aos vossos guias e sede submissos para
com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para
que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós
outros" (Hebreus 13:17).
Não somente os presbíteros, mas de fato todos os ministros especiais que Deus
deu à igreja são parte das providências para nos manter salvos.
Este conceito deveria ter uma influência poderosa sobre o pensamento tanto dos
servidores como dos servidos. Se você é um destes servos especiais da igreja,
um presbítero, um pregador, um professor, você precisa lembrar-se
constantemente que você é uma dádiva de Deus à igreja, com o propósito de
equipar os santos para o serviço. Você precisa fazer tudo o que puder para ter
alguma coisa a dar à igreja. Não lhe foi dada uma posição especial só para
alimentar sua vaidade. Você é uma dádiva de Deus à igreja, para o bem da
igreja.
Este conceito deveria afetar também o pensamento dos santos sobre seus
ministros especiais. O propósito de Deus para com você não pode ser efetivado
se você não se interessa pelo que os ministros especiais podem prover. Poucos
anos atrás, algumas pessoas estavam murmurando a respeito da "falta de
pregadores". Meus contatos com igrejas me fizeram duvidar se algumas destas
igrejas que estavam pedindo pregadores realmente necessitavam de
pregadores e se fariam o devido uso deles, se os tivessem. Todos os bons
professores têm se sentido frustrados quando muitos daqueles que poderiam ser
seus estudantes "não davam nada" pelo que eles lhes poderiam dar. Não
sou um presbítero, mas sei que presbíteros devem freqüentemente sentir a
mesma frustração quando eles têm tanta sabedoria, conselho e instrução para
dar a pessoas que não as querem.
Deus providenciou meios abundantes para nos manter salvos. Que qualidade de
pessoas somos quando ele oferece-nos uma dádiva e nos queixamos por ter que
aceitá-la?
|