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Salmo 59: Deus é meu Alto Refúgio

Algumas das mais elevadas expressões de louvor são emitidas das profundezas da angústia. Salmo 59, escrito por Davi quando os servos do rei Saul esperavam uma oportunidade para matá-lo, é um excelente exemplo.

O pano de fundo histórico desse Salmo se encontra no livro de 1 Samuel (sugiro a leitura dos capítulos 16 a 19). Depois do rei Saul se mostrar rebelde diante do Senhor, este escolheu o jovem Davi para ser seu sucessor. Deus permitiu, porém, que Saul completasse seu reinado. Saul viu Davi como uma ameaça à sua dinastia e começou a persegui-lo. Davi respeitou o Senhor e a sua decisão de manter Saul no poder e se mostrou um servo fiel ao rei. Ele até tocava sua harpa para tentar animar o rei. Saul, porém, não aceitou a determinação divina e procurou oportunidades para matar Davi. Uma noite, ele mandou seus homens a vigiar a casa de Davi para matá-lo. Foi nessa ocasião que Davi escreveu o Salmo 59.

A leitura desse Salmo mostra uma progressão natural do pensamento de Davi no desdobramento da sua crise. Ele começa o poema pedindo livramento dos seus inimigos (versos 1-5), chamando Deus para despertar e ver a maldade desses adversários: “desperta, vem ao meu encontro e vê” (verso 4). Na segunda parte (versos 6-13), ele expressa sua confiança na resposta de Deus, afirmando que ele “virá ao meu encontro” (verso 10). Na última parte (versos 14-17), ele louva a Deus pelo livramento dado, mudando o tempo do verbo para mostrar o que o Senhor já havia feito: “pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (verso 16).

O apelo de Davi nesse Salmo não é apenas um pedido para Deus tomar seu lado em uma disputa. Ele confia em Deus por causa da justiça da sua causa. Os adversários dele são inimigos de Deus, homens ímpios que vivem pecando: “Livra-me dos que praticam a iniquidade e salva-me dos homens sanguinários, pois que armam ciladas à minha alma” (versos 2-3). Seus perseguidores “traiçoeiramente praticam a iniquidade” (verso 5). Em contraste, Davi afirma sua própria inocência: “contra mim se reúnem os fortes, sem transgressão minha, ó SENHOR, ou pecado meu. Sem culpa minha, eles se apressam e investem” (versos 3 e 4).

Algumas expressões repetidas trazem ao cântico um certo ritmo de pensamento. Davi pede para Deus vir ao seu encontro, e depois comunica sua certeza que o Senhor faria exatamente isso (versos 4 e 10). Ele descreve os servos de Saul como predadores famintos: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade” (versos 6 e 14). A frase mais importante do Salmo aparece três vezes. Nos versos 9, 16 e 17, Davi chama Deus de “alto refúgio”. O Senhor responde ao seu apelo inicial de ser posto “acima do alcance” dos adversários (verso 1). Cães podem procurar carne deixada no chão, ou até atacar um animal ou pessoa ferida que caia, mas eles não podem subir árvores e muros para alcançar alguém que está bem acima deles. O livramento dado por Deus a Davi foi esse ato de levantá-lo para fora do alcance dos seus inimigos.

O refrão que descreve a caça pelos predadores é seguido por duas atitudes completamente diferentes em relação a Deus, frisando o contraste entre os servos de Saul e o próprio Davi. A primeira vez, a atitude expressa é dos ímpios: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade. Alardeiam de boca; em seus lábios há espadas. Pois dizem eles: Quem há que nos escute?” (versos 6 e 7). Como é típico de pessoas que ignoram Deus, esses malfeitores se achavam capazes de cometer seus crimes com impunidade, sem Deus ver seus atos maldosos (compare Salmos 10:4,11; 14:1; 36:1; 73:11; 94:3-11; Jó 22:13-14).

A segunda vez que Davi usa esse refrão, a resposta vem dele mesmo e contradiz à incredulidade dos malfeitores: “Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade. Vagueiam à procura de comida e, se não se fartam, então rosnam. Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; pois tu tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (versos 14-16).

Que louvemos a Deus, mesmo nos momentos de angústia e tribulações, com a mesma confiança que Davi mostrou: “A ti, força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia” (verso 17).

-por Dennis Allan


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