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Salmo 56: Que me Pode Fazer um Mortal?

Nos momentos mais difíceis da vida, a tendência humana é de ficar desesperado e procurar qualquer tipo de solução. É comum justificar mentiras, atos de violência ou outros erros por causa das circunstâncias difíceis que a pessoa enfrenta. Até no Código Penal brasileiro, como nas leis semelhantes em muitos outros países, há provisões específicas que tratam de circunstâncias atenuantes como motivos de diminuir a pena dos autores de crimes.

Davi, sendo humano, mostrou a mesma tendência. Quando o jovem Davi foi perseguido pelo rei Saul, ele fugiu. Conseguiu a ajuda do sacerdote em Nobe e, depois, saiu do seu país e procurou refúgio na cidade filisteia de Gate. Há uma certa ironia nessa escolha de Davi, pois Gate foi a cidade donde veio Golias, o campeão dos filisteus que caía diante de Davi. Se o melhor guerreiro da cidade não resistia a fé de Davi, que força de proteção ele encontraria entre esses inimigos da sua nação?

O povo de Gate não acolheu Davi. Sabiam da sua reputação de ser um guerreiro valente e desconfiavam do visitante de Israel. Davi ficou com medo de Aquis, o rei de Gate (1 Samuel 21:10-12). Quando comparamos o relato histórico de 1 Samuel com as palavras de Davi no Salmo 56, percebemos sua luta interna. Por um lado, ele procurou soluções na sua esperteza, até fingindo loucura para parecer inofensivo para o rei de Gate (1 Samuel 21:13-14). Por outro lado, ele olhou para Deus para protegê-lo. É evidente, especialmente quando acompanhamos todos os detalhes revelados sobre Davi, que a fé venceu o medo. Dois dos Salmos (56 e 34) revelam o coração de Davi nesse momento difícil. O Salmo 56, o foco deste artigo, provavelmente foi o primeiro desses dois a ser escrito, pois enfatiza a carência de Davi diante da ameaça filisteia. O Salmo 34, que examinaremos em mais detalhe no próximo artigo, comunica o alívio do autor ao ser livrado do perigo.

O título do Salmo 56 identifica o contexto histórico: “Hino de Davi, quando os filisteus o prenderam em Gate”, e o primeiro verso é um apelo urgente para a misericórdia de Deus. O autor enfrentava as ameaças dos seus inimigos: “o homem procura ferir-me; e me oprime pelejando todo o dia” (verso 1). Ao longo do Salmo, ele fala dos seus adversários no plural: “torcem as minhas palavras” (verso 5), “ajuntam-se, escondem-se, espionam os meus passos” (verso 6), “baterão em retirada os meus inimigos” (verso 9). Faz perfeito sentido que ele refere a esses adversários filisteus como estrangeiros, e não como o próprio povo de Deus, quando pede para Deus derrubar “os povos” na sua ira (verso 7). Davi viu a malícia e o número grande dos seus adversários, e reconheceu que a única resposta se encontrava em Deus (versos 2 e 3).

Davi responde à sua ansiedade com um refrão usado duas vezes no Salmo: “Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer um mortal?” (verso 4); “Em Deus, cuja palavra eu louvo. No SENHOR, cuja palavra eu louvo, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?” (versos 10 e 11). Apesar de ter tentando resolver o problema com seus próprios recursos, Davi só achou paz e tranquilidade diante das ameaças dos inimigos ao depositar sua confiança em Deus. Diante do Criador do universo, o que um homem, ou bilhões de homens, seria capaz de fazer?

Nessas expressões de confiança em Deus, Davi alcançou a fé de que todos nós precisamos. Foi o que faltou aos israelitas no deserto quando recusaram tomar a terra que Deus lhe prometeu (Números 13:25 – 14:12). Foi a fé que trouxe livramento para Daniel na cova dos leões (Daniel 6) e para seus amigos quando foram lançados numa fornalha (Daniel 3). José demonstrou essa fé quando maltratado como escravo no Egito, diferente do seu pai, o qual passou décadas tentando manipular as pessoas e as circunstâncias para sua própria vantagem.

Davi encerra o Salmo com a reação de gratidão pelo livramento que Deus lhe deu: “Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus; render-te-ei ações de graças. Pois da morte me livraste a alma, sim, livraste da queda os meus pés, para que eu ande na presença de Deus, na luz da vida” (versos 12 e 13). Quando recebemos o livramento da morte, consequência do nosso próprio pecado, poderemos oferecer menos a Deus? Quando ele livra nossas almas, devemos nos entregar a ele e oferecer o nosso serviço em profunda gratidão.

-por Dennis Allan


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