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Salmo 109: Os Seus Dias Sejam Poucos

As orientações que introduzem Salmo 109 sugerem para ele um lugar importante na adoração de Israel: “Ao mestre de canto. Salmo de Davi”. O salmista de Israel, guiado pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), escreveu essas palavras para exaltar o Senhor e ensinar sobre sua justiça. Todos que estudam as Escrituras com seriedade lutam com esse e os outros Salmos imprecatórios, cuja mensagem principal é de maldição aos malfeitores. Especialmente com o pano de fundo da mensagem redentora do evangelho de Cristo, achamos difícil conciliar essas imprecações com o espírito do servo do Senhor. Mas, sabemos que Davi era um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22). Ele escreveu sobre o amor e a misericórdia, mas também frisou a vingança de um Deus santo e justo. A fé verdadeira não nos permite a liberdade de moldar Deus conforme as nossas preferências e preconceitos. É importante estudar todos os aspectos do caráter divino, e um deles é sua ira contra os malfeitores. É no Novo Testamento com sua mensagem de graça e salvação que achamos estas palavras sombrias: “Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:30-31). Qualquer teologia que nega a justa vingança de Deus não é uma teologia bíblica. O Salmo 109 nos ajuda a compreender esse fato inconveniente.

Como um homem fiel a Deus poderia pedir a destruição dos seus inimigos? Davi falou de uma posição que poucos ocupam. Ele tinha certeza da sua própria comunhão com Deus, e convicção que seus adversários eram, principalmente, inimigos de Deus. Ele não estava pedindo para Deus tomar partido em alguma disputa política. Ele foi um servo e guerreiro do Senhor na batalha contra o mal, e desejava a vitória do seu Rei justo.

Como Davi se refere aos inimigos que ele tratava com amor (verso 4), parece provável que o contexto do Salmo 109 seja um dos períodos de conflitos internos em Israel, talvez a perseguição por Saul ou a guerra civil provocada por Absalão alguns anos depois.

Quem falará? Os primeiros três versos apresentam um contraste entre Deus e os inimigos de Davi. Os inimigos falavam mentiras e palavras odiosas (versos 2 e 3). Davi pede para Deus agir: “Ó Deus do meu louvor, não te cales!” (verso 1). A voz da justiça de Deus seria a única resposta necessária e adequada para as falsas acusações dos adversários de Davi.

O contraste entre o procedimento de Davi e o dos seus adversários é frisado nos versos 4 e 5. Ele mostrou amor e bondade, e eles responderam com hostilidade e ódio. Mesmo quando os outros nos maltratam, lembremos do exemplo de Davi e das instruções de Jesus: “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6:31).

Nos versos 6 a 20, Davi pede que Deus traga sobre seus inimigos as justas consequências dos seus crimes. Nós podemos sentir a mesma vontade de ver a justiça aplicada quando um assassino, estuprador ou pedófilo é julgado no tribunal. Davi sugere castigos apropriados pelos delitos cometidos. Ele deseja ver seus inimigos condenados e levados à pobreza e até à morte precoce. Diferente do desejo normal que um justo deixe descendentes respeitados, a vontade de Davi é ver a linhagem e a lembrança dos seus inimigos apagadas da terra.

O salmista explica que o motivo das suas severas imprecações não é apenas uma questão de ofensa particular contra sua pessoa, mas crimes de injustos que maltratavam pessoas inocentes. Ele diz do seu inimigo: “Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte” (verso 16). A justiça que Davi pediu seria conforme os crimes: “Amou a maldição; ele o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele” (verso 17). Ainda assim, Davi deixou a vingança nas mãos de Deus, não procurando sua própria vingança: “Tal seja, da parte do SENHOR, o galardão dos meus contrários... Mas tu, SENHOR Deus, age por mim, por amor do teu nome” (versos 20-21; compare o ensinamento de Paulo em Romanos 12:19).

Davi encerra esse Salmo com um apelo a Deus pela sua própria salvação dos malfeitores, e anuncia sua intenção de agradecer e louvar a Deus publicamente. No final das contas, o assunto é muito mais do que a vindicação dos direitos de Davi. É o nome do Deus justo que é honrado!

-por Dennis Allan


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