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Salmo 35: Peleja Contra os que Contra Mim Pelejam

Davi encontrou muitos motivos para adorar ao Senhor. No Salmo 35, ele destaca a justiça de Deus, encerrando o hino com estas palavras: “E a minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor todo o dia” (verso 28). A perspectiva de Davi sobre a justiça divina não foi de uma verdade geral e vaga, pois ele presenciou injustiças na sua vida que só Deus poderia resolver. Nesse Salmo, ele fala da traição de pessoas que ele tratava como irmãos e amigos. Lembramos alguns episódios difíceis na vida dele, como a história registrada em 1 Samuel 23. Davi foi ajudar o povo de Queila, que estavam sob ataque. Logo depois, Deus revelou para Davi que o próprio povo de Queila o entregaria ao seu perseguidor, Saul. Davi fugiu para o deserto de Zife e foi traído pelos zifeus. Nos últimos anos do seu reinado, Davi também passou por algumas situações desagradáveis de traição e abandono, alguns exemplos sendo registrados em 2 Samuel 19 e 20. Provavelmente foi um desses momentos que ocasionou o Salmo 35.

Antes de observar alguns detalhes desse Salmo, vale ressaltar dois fatos especialmente interessantes: (1) Davi não procura sua própria vingança, pois deixa na mão de Deus o castigo dos malfeitores; (2) Ele vê Deus, em todos os momentos, como merecedor de louvor, citando sua salvação e sua justiça como motivos para expressar a gratidão.

Salmo 35 se divide em três partes principais, cada uma terminando com palavras de louvor (versos 9 e 10, 18 e 28). Em cada parte, Davi olha para os feitos dos seus inimigos, pede a intervenção divina e adora ao Senhor. Observemos exemplos de cada aspecto da sua mensagem:

Davi descreve as obras dos malfeitores: Os adversários de Davi eram perseguidores que pelejavam contra o salmista (versos 1 e 3). Eles tramavam contra o homem escolhido por Deus, procurando oportunidade para matá-lo (versos 4,7 e 8). Fizeram contra Davi falsas acusações (verso 11) e trataram mal aquele que mostrou amor para eles (versos 12-16,20). Davi se viu como vítima do ódio sem motivo desses inimigos (verso 19), e assim as ofensas contra ele foram ofensas contra “os pacíficos da terra” (verso 20). 

O salmista pede a intervenção de Deus em trazer a justiça contra seus perseguidores: Os seus apelos empregam verbos de ação, mostrando o tipo de participação divina que Davi desejava – contende, peleja, embraça, ergue-te, empunha, reprime, dize, livra-me, acorda, desperta etc. Davi não se vingava, mas confiava na justiça de Deus para julgar sua causa: “Acorda e desperta a para me fazeres justiça, para a minha causa, Deus meu e Senhor meu. Julga-me, SENHOR, Deus meu, segundo a tua justiça; não permitas que se regozijem contra mim” (verso 24). 

Ele se dedica à adoração a Deus: Em tudo que acontece, Davi vê motivos de adorar ao Senhor. Cada parte do Salmo encerra com palavras de louvor: “E minha alma se regozijará no SENHOR e se deleitará na sua salvação. Todos os meus ossos dirão: SENHOR, quem contigo se assemelha? Pois livras o aflito daquele que é demais forte para ele, o mísero e o necessitado, dos seus extorsionários” (versos 9 e 10); “Dar-te-ei graças na grande congregação, louvar-te-ei no meio da multidão poderosa” (verso 18); “E a minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor todo o dia” (verso 28).

Davi encerra o Salmo com um contraste entre dois grupos de pessoas: (1) seus inimigos, que ele vê também como inimigos de Deus, e (2) seus defensores, que apoiam a vontade de Deus. Ele deseja o castigo do primeiro grupo e a alegria do segundo: “Envergonhem-se e juntamente sejam cobertos de vexame os que se alegram com o meu mal; cubram-se de pejo e ignomínia os que se engrandecem contra mim. Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão; e digam sempre: Glorificado seja o SENHOR, que se compraz na prosperidade do seu servo” (versos 26 e 27).

Precisamos compreender, como Davi entendeu, que o servo do Senhor pode sofrer, e sofrer muito, nesta vida. Davi sofreu por causa das injustiças dos seus inimigos, e nós, também, somos sujeitos a maus tratos. Davi compreendeu, porém, que o juízo divino seria realizado com perfeição e adorou a Deus por causa da sua justiça. Que mostremos a mesma confiança em Deus.

-por Dennis Allan


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