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Salmo 16: Não Deixarás a Minha Alma na Morte

Visto como um Salmo messiânico por causa da sua profecia sobre a ressurreição de Cristo, o Salmo 16 oferece os pensamentos de um rei humilde que demonstrava sua confiança no Senhor. Na leitura desse Salmo, observamos as atitudes de Davi, rei de Israel (identificado como autor no título), que prefigurava e profetizava sobre Jesus Cristo, o Rei dos reis.

Embora o título não identifique o contexto histórico desse Salmo, sua mensagem se adequa muito bem à história relatada em 2 Samuel 7 e 1 Crônicas 17. Davi já estava bem estabelecido como rei. Havia resolvido os principais conflitos internos que ameaçavam o princípio do seu reinado e se mostrou forte para repelir ameaças externas, principalmente em uma vitória importante sobre os filisteus. O novo rei uniu o povo ao estabelecer Jerusalém como a sede do seu governo e como local escolhido por Deus como o centro da religião nacional. 

Davi passou a residir em sua casa própria em Jerusalém, mas não ficou satisfeito com isso. O problema não foi uma ambição pessoal, e sim sua vontade de honrar o Senhor. Ele não se conformou com o contraste entre seu conforto e a simplicidade do alojamento temporário da Arca da Aliança, o móvel que representava a presença de Deus. O rei chamou o profeta Natã e lhe disse: “Olha, eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda” (2 Samuel 7:2). Natã, falando sem primeiro consultar o Senhor, deu apoio ao plano de Davi de construir um templo permanente em Jerusalém. Mas, Deus corrigiu a precipitação do profeta e explicou que Davi não seria a pessoa para edificar seu santuário. Essa tarefa cairia para Salomão, filho e sucessor de Davi. Na mesma resposta divina, o Senhor falou também de estabelecer o reino eterno do descendente de Davi, uma importante profecia do Cristo (2 Samuel 7:11-12). Uma explicação dada por Pedro associa a mensagem de 2 Samuel 7 à profecia de Salmo 16. Esse apóstolo citou Salmo 16:8-11 e disse que Davi não falava de si mesmo, mas “referiu-se à ressurreição de Cristo” (Atos 2:31). O apóstolo Paulo fez exatamente o mesmo argumento em Atos 13:32-28. Podemos concluir que esse Salmo foi composto para complementar a mensagem de Natã. 

Como é comum em muitas profecias no Antigo Testamento, algumas partes do Salmo 16 admitem uma aplicação dupla. Alguns elementos do Salmo podem ser compreendidos como descrições da relação de Davi com Deus, mas em seu sentido mais completo, se aplicam a Jesus, como Pedro e Paulo afirmaram. Vamos considerar como esse Salmo demonstra total confiança em Deus, seja da parte de Davi ou na comunhão íntima e eterna de Jesus com seu Pai.

O rei confiava plenamente no Senhor e achava prazer em estar com os servos de Deus (versos 1- 3). Davi já introduz o conceito de herança quando diz: “Tu és meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (verso 2). Mesmo um rei com todas as regalias da sua posição deu prioridade para a sua relação com Deus. Com Deus, nada mais importava.

Ele comenta sobre a diferença entre sua segurança em Deus e o destino das pessoas que servem falsos deuses (versos 4-8). Davi comenta sobre a consequência da idolatria e recusa participar dessas falsas religiões porque ele vê Senhor com sua única herança. Novamente, observamos a linguagem de posse ou de herança, nos lembrando que a relação de Deus com seus servos é exclusiva e funciona nas duas vias: Deus possui seu povo e seus servos têm Deus com sua herança. Esse conceito forma uma base importante da Nova Aliança, profetizada por Jeremias e aplicada no Novo Testamento: “...eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33; Hebreus 8:10). Tanto Davi como Jesus confiavam no Senhor: “O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado” (verso 8).

Foi com essa confiança que Jesus Cristo cumpriu sua missão e permitiu que homens maus o crucificassem. Como os apóstolos revelaram, o final do Salmo 16 descreve a atitude de Jesus diante da morte, confiante da ressurreição e exaltação eterna que viriam depois: “Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (versos 9-11). Nessas palavras, Davi profetizou sobre a exaltação de Cristo. Jesus morreu. Seu corpo repousou seguro no sepulcro, mas não viu a corrupção, pois ressuscitou e subiu ao céu, onde reina à destra do Pai. 

-por Dennis Allan


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