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Salmo 22: Deus Meu, Deus Meu

Não sabemos o momento exato em que Davi compôs o Salmo 22, mas a citação dele por Jesus na cruz nos ajuda a entender o seu significado como parte da mensagem eterna do evangelho de Cristo. O Salmo reflete os pensamentos de Davi quando perseguido (seja por Saul, por Absalão ou por outros inimigos), mas ganha uma força maior quando vinculado ao sofrimento de Jesus. A angústia do sofredor é severa, mas temporária, pois ele olha para frente com confiança em Deus, sabendo da sua aceitação e da certeza do seu lugar na presença de Deus.

Enquanto pendurado na cruz, Jesus pronunciou as palavras do primeiro verso: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46; Marcos 15:34). Citações específicas e alusões à linguagem de outros versos do Salmo aparecem em diversos textos bíblicos. Nas suas descrições da rejeição do Messias, Isaías 52:14 e 53:2-3 se comparam ao verso 6 desse Salmo. Verso 7 (“Todos os que me veem zombam de mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça”) nos conduz à cruz, e os relatos nos Evangelhos dos abusos dirigidos a Jesus (Mateus 27:39; Marcos 15:29; Lucas 23:35). Os inimigos de Jesus naquele dia até usaram as palavras desse Salmo nas suas tentativas de humilhá-lo. O Salmista disse: “Confiou no SENHOR! Livre-o ele; salve-o, pois nele tem prazer”, e as autoridades dos judeus olharam para Jesus na cruz e falaram: “Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem” (Mateus 27:43). As mãos e os pés foram traspassados (verso 16), uma descrição que se enquadra no modo de execução por crucificação. Até as ações dos soldados que crucificaram Jesus foram mencionadas nessa profecia escrita mil anos antes do fato: “Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes” (verso 18, comparado com os relatos em todos os quatro Evangelhos – Mateus 27:35; Marcos 15:24; Lucas 23:34 e João 19:24).

Compreensão do valor profético desse Salmo enriquece nosso estudo dele. De modo geral, o Salmo se divide em duas partes principais. Os primeiros 21 versos apresentam o apelo do Sofredor a Deus, o único capaz de livrá-lo. Os últimos 10 versos destacam os resultados do livramento dele em oferecer a mensagem salvadora às nações.

Alguns versos merecem destaque.

Mesmo usando a linguagem que reflete a sua agonia, o Sofredor não questiona a posição nem o poder de Deus: “Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel” (verso 3). Mesmo nos momentos mais difíceis, nunca devemos levantar acusações contra Deus ou questionar sua soberania.

Outros podem considerar a confiança do fiel ridícula, mas devemos sempre manter a fé em Deus. A resposta do Sofredor aos zombadores foi sua oração ao Senhor: “Contudo, tu és quem me fez nascer; e me preservaste, estando eu ainda ao seio de minha mãe” (verso 9). Considerando sua situação da perspectiva humana, o Sofredor se vê como um homem fraco cercado por feras. Ele descreve os malfeitores que o cercam como muitos touros, cães, búfalos e o leão que despedaça enquanto os ossos e o coração dele falecem (versos 12-14,16,21). Ele perde a força e deita no pó da morte (verso 15), entendendo que Deus é o único capaz de salvá-lo: “força minha, apressa-te em socorrer-me” (verso 19).

E Deus responde! O livramento da morte é implícito entre versos 21 e 22 e confirmado no verso 24. O tom do resto do Salmo é um de vitória. Como observamos em Salmo 16:10-11, a vitória de Jesus não foi em evitar a morte, e sim em ser ressuscitado e exaltado eternamente. Vitorioso, o Messias canta louvores e declara a mensagem da salvação a Israel (versos 22-26) e às outras nações (versos 27-31). 

Davi, no Salmo 22, não somente profetizou sobre o sofrimento de Cristo na cruz do Calvário, mas também olhou para o efeito da sua vitória sobre a morte. Jesus venceu a morte. Ele ressuscitou e subiu para seu lugar exaltado à destra do Pai. Ele reina (verso 28) e oferece proteção e segurança eterna para aqueles que se convertem a ele. Todos nós temos o privilégio de podermos conhecer e honrar o Senhor e Salvador: “louvarão o SENHOR os que o buscam” (verso 26).

-por Dennis Allan