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Salmo 70: Eu Sou Pobre e Necessitado

Muitos dos hinos escritos por Davi e outros salmistas são grandes e detalhados, enumerando atributos de Deus ou acontecimentos históricos. Outros são concisos e objetivos, focalizando apenas um ou dois pontos e fazendo súplicas específicas ao Senhor. O Salmo 70 é um desses pequenos hinos, uma oração com seu propósito bem definido.

Davi escreveu o Salmo 70, que é quase idêntico aos últimos cinco versos do Salmo 40, em um momento de urgente necessidade do socorro divino. O primeiro e o último verso do hino utilizam apelos de urgência: “dá-te pressa” e “não te detenhas”. Os versos no meio separam os homens em duas categorias, uma merecedora de castigo e a outra carente da proteção do Senhor.

“Praza-te, ó Deus, em livrar-me; dá-te pressa, ó SENHOR, em socorrer-me” (verso 1). O tom de urgência, até de desespero, é típico das circunstâncias de perseguição que Davi enfrentou, especialmente quando Saul o perseguia e, anos depois, quando Absalão ameaçou o seu reino. Davi entendeu que Deus é o único capaz de salvar, e depositou sua confiança total no Senhor.

Nos próximos dois versos, Davi pediu que Deus frustrasse os planos dos seus adversários: “Sejam envergonhados e cobertos de vexame os que me demandam a vida; tornem atrás e cubram-se de ignomínia os que se comprazem no meu mal. Retrocedam por causa da sua ignomínia os que dizem: Bem-feito! Bem-feito!” (versos 2 e 3).

Quando se trata da derrota dos seus inimigos, Davi usa linguagem forte! Ele pede a humilhação, até a desonra pública, dos seus perseguidores. Ele não pede um leve castigo, mas deseja vê-los cobertos de humilhação e vergonha, para que se sentem obrigados a se retirarem do meio do povo.

As ofensas desses adversários são descritas por três expressões: “me demandam a vida”, “se comprazem no meu mal” e “dizem: Bem-feito! Bem-feito!”. Queriam dar fim à vida de Davi, o servo escolhido por Deus para guiar a nação santa. Quando Davi sofria, eles sentiam prazer, considerado o sofrimento dele justo e merecido. Quando Davi foi vítima da maldade dos outros, eles aplaudiram.

Há uma linha divisória muito fina nesse Salmo. Por um lado, Davi pede a humilhação dos seus inimigos. Por outro lado, ele condena os adversários por desejarem que ele fique envergonhado. Aqui, é importante entender que não trata apenas de uma disputa entre seres humanos, mas um conflito entre a vontade de Deus e as intenções de homens rebeldes. Davi se posiciona dessa maneira por ter a plena convicção da justiça da sua causa. Seja Saul tentando matar Davi antes deste acender ao trono de Israel ou Absalão procurando tomar o trono do seu pai, qualquer um que procurava impedir o domínio de Davi estava lutando contra Deus. Não é errado desejar a vindicação quando temos certeza da justiça da nossa causa. Mas quando o problema não passa de rivalidade carnal entre homens, jamais devemos desejar o mal ou comemorar o sofrimento dos outros. Esse fato fica até mais nítido no Novo Testamento, onde Deus não pede para seu povo se defender em guerras convencionais com armas carnais. O desejo dos servos de Deus hoje é o arrependimento e a conversão daqueles que se rebelam contra o Senhor.

Davi encerrou o Salmo com o lado positivo da justiça divina, a salvação dos fiéis: “Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os que amam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado! Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. SENHOR, não te detenhas!” (versos 4 e 5). Como esse Salmo trata do princípio geral da justiça, as bênçãos não se limitam a Davi, mas se estendem a todos que buscam ao Senhor e amam a salvação que ele oferece. Ao mesmo tempo, Davi não se considerou superior aos outros servos. Ele se vê como uma pessoa pobre e necessitada, não no sentido de carência material, mas por ser dependente de Deus. Ele, como o apóstolo Paulo, achou a força ao admitir sua própria fraqueza e confiar no poder de Deus (2 Coríntios 12:10).

O Salmo 70 nos desafia a sempre nos alinhar com a vontade de Deus, o único capaz de nos salvar e nos proteger dos malfeitores.

- por Dennis Allan


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