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Salmo 10: Por Que Razão Despreza o Ímpio a Deus?

Antes de considerar o texto desse Salmo, vamos observar uma diferença curiosa na enumeração dos Salmos em nossas Bíblias. Na maioria das versões atuais, o Salmo 9 tem 20 versos, e o Salmo 10 tem 18. Em outras (especialmente algumas Bíblias católicas), o mesmo conteúdo é apresentado em um Salmo (número 9) com 39 versos, o primeiro contendo as instruções do cabeçalho que aparece no início do Salmo 9, antes do primeiro verso, em outras versões. Algumas observações sobre essa diferença: (1) Não é uma diferença de conteúdo, e sim de arranjo; (2) Essa diferença afeta a numeração, mas não o texto em si, de praticamente todos os Salmos; (3) A diferença não partiu dos católicos, nem dos protestantes, e sim de uma diferença na organização de textos antigos em outros idiomas. Algumas Bíblias católicas seguem o arranjo da Septuaginta, a tradução feita do hebraico ao grego entre o tempo do Antigo e o Novo Testamento, e outras Bíblias seguem a divisão do texto massorético (hebraico). Nestes artigos, seguimos a divisão da maioria das Bíblias, que se baseia no texto hebraico. O que apresentamos aqui sobre Salmo 10 seria sobre Salmo 9:22-39 em algumas Bíblias.

O Salmo inicia com uma pergunta sobre a demora na justiça divina: “Por que, SENHOR, te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulação?” (verso 1). Tanto o Salmo anterior como o final deste mostram a confiança do autor na justiça divina. Mas, é comum para o ser humano, mesmo para os servos fiéis ao Senhor, ponderar a aparente demora nas ações de Deus. Por que ele não age? Como vamos ver no resto do Salmo, o autor reconhece que Deus, de fato, age a favor dos justos. Um dos grandes desafios para todos nós é olhar para as realidades de uma perspectiva eterna. No final das contas, Deus fará diferença entre os ímpios e os fiéis.

Como se fosse apresentar um caso jurídico contra os malfeitores, o autor desse Salmo descreve diversas características e comportamentos típicos dos homens rebeldes. São arrogantes (verso 2). Perseguem os pobres e inocentes (versos 2, 9 e 10). São cobiçosos e avarentos (verso 3). Blasfemam contra Deus (verso 3). Recusam admitir a existência de Deus (verso 4). Acreditam que sua prosperidade seja prova que Deus nunca os julgará (versos 5, 6, 11 e 13). Eles falam maldições, enganos e insultos (verso 7). Empregam os membros do corpo (boca, olhos etc.) para fazer a maldade que vem do seu íntimo (versos 6 a 8).

Uma expressão repetida identifica essa fonte das maldades: “Pois diz lá no seu íntimo” (verso 6); “Diz ele no seu íntimo” (verso 11); “dizendo no seu íntimo” (verso 13). Jesus disse, 1.000 anos depois de Davi: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:21-23). O autor de Provérbios escreveu: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). Devemos considerar as implicações desses ensinamentos. Não devemos enganar a nós mesmos, achando que seja possível nos manter longe da prática do mal e, ao mesmo tempo, alimentar desejos e pensamentos maus. Mesmo quem não mata outros peca quando guarda rancor, ódio e inimizade: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1 João 3:15). O homem que não toca em nenhuma mulher, a não ser sua própria esposa, ainda peca quando alimenta pensamentos impuros sobre outras. Jesus disse: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:28). O Senhor nos chama a um padrão de santidade que vai além dos atos visíveis e atinge os nossos pensamentos íntimos.

O Salmo 10 encerra com palavras muito parecidas com os últimos versos do Salmo 9. Ele mostra plena confiança na justiça divina e nos seus efeitos. Os desamparados encontram seu refúgio em Deus, que reina eternamente, enquanto este traz o castigo sobre os opressores e arrogantes (versos 14 a 18). Quando baixa a poeira dos conflitos, não é o homem que infunde terror (verso 18), porque Deus infunde o medo quando julga os rebeldes (Salmo 9:19-20).

Mesmo quando não entendemos os atos de Deus, ou não compreendemos os motivos pela demora na justiça divina, podemos confiar na justiça daquele que reina eternamente.

-por Dennis Allan


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